affaire
Pelo canto do olho eu noto uma mensagem surgir na tela do celular. Avisando que chegou. Me pede pra descer - não tem ninguém na portaria. Abro a porta e o ruído do tráfego engole por inteiro a voz de Mitski falando sobre a entrega de almas em pactos noturnos, e o sol do fim da tarde reflete das janelas do prédio defronte. Desço rápido esperando que ninguém apareça. Que ninguém nos veja. Subimos as escadas, um distante do outro, e ouço sua voz reclamar alguma coisa numa voz cansada… Tira os sapatos enquanto perco a expressão que faz devido à contraluz que desenha os ombros dele se mexendo. Depois aponta com a cabeça para um dos cantos do apartamento e eu aceno negativamente, confirmando que estamos a sós hoje. Descalço, ele se aproxima digitando alguma coisa no celular e me pede um beijo. Segurando na minha cintura meio nervoso, me puxa pra perto e de alguma forma os nossos óculos também se encostam interrompendo o momento. Me pede para usar o banheiro e enquanto ele fecha a porta ...