- Laços -



I carry your heart with me
(I carry it in my heart)
I am never without it
(anywhere I go, you go, my dear)

Então teus lábios pálidos e secos moveram-se do meu lado. Tuas palavras inundando meu ouvido. O som da tua revelação viajando no meu consciente.
Quem nunca esperou por essas palavras? Oh, destino. Que me permitiu ouvi-las quando eu menos as esperando estava; quando eu menos as queria! E elas passaram por mim, por todas as minhas células, por todo o meu sangue, selando minhas veias, roubando meu oxigênio, condenado meu corpo no estupor de um momento que deveria ter sido o ponto mais alto dessa coisa que nós vivemos, e que terminou sendo aquele mesmo instante, o próprio segundo no qual o que carrego no peito mal agüentava seu próprio peso.
 Porque agora? Eu me perguntaria. Do que valeu ter esperado o momento se abater sobre nós? Agora que as sombras estavam ali, o que me desejavam essas palavras? Porque eu me importaria como elas vieram, com a ajuda de quem? Se sabíamos, ambas, que não conseguirias mais segurar as barreiras que me protegeram lá dentro.
Porque houve muito tempo, tempo suficiente para acabar com essas dores tardias, e com o peso do que carregavas que viria à luz, num dia qualquer. Num Setembro qualquer.
E assim a história termina. Termina no começo. No simples fato de que eu me segurei a ti com toda a força dentro do meu frágil coração, me fundi, me enrolei a ti, pelos laços que não podiam se rompidos por anos, ou vontade. Porque o meu amor e a minha necessidade faziam choro nos meus olhos e gritos na minha boca.
Mas era tudo demais, não era? Havia um peso muito grande em me ter nos braços. Eu não era mais uma possibilidade. A minha realidade, o meu desamparo, meu coração, meu amor, desestabilizou a tua balança, e limpo e verdadeiro como o corte que me separou de ti, a tua escolha fez o resto.
Mas as tuas palavras não. As tuas palavras me prendem ao passado. Quando eu penso que já posso partir enfim, quando eu vejo que chego mais longe, a verdade é que a corrente no meu peito apenas ficou maior, mas nunca deixou seu lugar, nunca me libertou daquele Setembro, daquele dia.
E não importa o quanto eu dilacere minha carne.
Não importa nada.
O teu peso, somado no meu coração, que mal comporta o que me permito sentir, continua lá. Dentro de mim, pulsando e escoando e vivendo pelos anos que vieram e que hão de vir.
Pelas batidas, pelas palavras e pelo som.
Pelo simples fato de que não posso jamais mudar o que somos, quem somos.
Mas também não posso perdoar teu injusto adeus.


Shelhass
Baseada na música Heavy In Your Arms por Florence + The Machine. E nos laços familiares, sejam eles bons ou ruins.

Comentários

Anônimo disse…
Triste e belo. Imagens assustadoras... mas uma sinceridade singela. Gostei.

Sobre o aniversário só tenho a lhe dizer uma coisa....

VELHA! rsrsrsrrs

E sobre um pedido, sim eu tenho um pedido. A música é meio gay, mas ela tem sido uma boa trilha no ônibus: For you - The Calling ou Far away do Nickelback... please...

Beijinhos!

P.S: não esquece da lista dos pais gatos de seriados e filmes, dos famosos que conhecemos sem saber de sua fama e dos filmes de menininhas...rsrsrsr
Anônimo disse…
Acho muito interessante isso que vc faz, tirando inspiração de músicas. Não consigo isso =(.
Feliz aniversário =D!
Gabriel Pozzi disse…
hey moça!
feliz aniversário!!!
bem, um texto baseado em Florence, que bacana! impossível de ficar ruim com essa inspiração, né? rsrs
bem, eu confesso que gosto desse tipo de mistério e auto-questionamento, dessas dúvidas que as vezes não nos deixam dormir!
quer dizer, vivenciar isso pode ser um pouco aflitivo (pouco?), mas pelo menos nos faz criar textos bem inspirados!!!

se quiser uma sugestão (não vou dizer pedido hahaha), faça sobre Kate Nash (já que gosta de Florence, deve gostar dela)... aquela música "Nicest Thing" com certeza cria pano pra manga, viu! hahaha

bjss
http://songsweetsong.blogspot.com/
Anônimo disse…
Parabéns, pelo aniversário e pelo belo texto.
Carlos Howes disse…
Eu sumi tanto assim? Mas apareci aqui para dizer que continuo gostando das tuas escolhas e dos teus textos, especialmente quando se trata de uma musica forte como essa.